Ô JOSUÉ, NUNCA VI TAMANHA DESGRAÇA


A fome é, conforme tantas vezes tenho afirmado, a expressão biológica de males sociológicos. Está intimamente ligada com as distorções econômicas, a que dei, antes de ninguém, a designação de "subdesenvolvimento".

A fome é um fenômeno geograficamente universal, a cuja ação nefasta nenhum continente escapa. Toda a terra dos homens foi, até hoje, a terra da fome. As investigações científicas, realizadas em todas as partes do mundo, constataram o fato inconcebível de que dois terços da humanidade sofre, de maneira epidêmica ou endêmica, os efeitos destruidores da fome.

A fome não é um produto da superpopulação: a fome já existia em massa antes do fenômeno da explosão demográfica do pós-guerra. Apenas esta fome que dizimava as populações dos países pobres era escamoteada, era abafada, era escondida. Não se falava do assunto que era vergonhoso: a fome era tabu.


MAPA DAS PRINCIPAIS CARÊNCIAS EXISTENTES
NAS DIFERENTES ÁREAS ALIMENTARES DO BRASIL

Existem duas maneiras de morrer de fome: não comer nada e definhar de maneira vertiginosa até o fim, ou comer de maneira inadequada e entrar em um regime de carências ou deficiências específicas, capaz de provocar um estado que pode também conduzir à morte. Mais grave ainda que a fome aguda e total, devido às suas repercussões sociais e econômicas, é o fenômeno da fome crônica ou parcial, que corrói silenciosamente inúmeras populações do mundo.

Josué de Castro, autor de Geografia da Fome



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1 Comments:

At 31 de março de 2009 às 11:50, Anonymous Leandro Pinto said...

Josué de Castro acaba de entrar para o rol dos "cientistas" que esqueceram de validar logicamente suas proposições ou hipóteses.

É um caso comum na modernidade. Era que entrará para a história, se houver história depois de tanta estupidez em massa, como o apogeu do encolhimento intelectual, moral e espiritual da humanidade.

Vejamos em que consiste a enormidade dita por Josué de Castro: ele diz que a fome é fenômeno geograficamente universal e que ela já existia antes do pós-guerra (a explosão demográfica não é um fenômeno propriamente do pós-guerra, mas do século 20 em geral). Até aí, nenhum absurdo.

O problema está em que, partindo de um FATO do presente, se pretende inferir que: "Toda a terra dos homens foi, até hoje, a terra da fome". Qual é a relação causal, o nexo lógico que nos permite inferir tal condição? O autor não diz diretamente, mas afirma que a fome é "expressão biológica de males sociológicos"; males que ele vê como "distorções econômicas", a que chama de "subdesenvolvimento". Ora, o absurdo está em considerar que fenômenos econômicos (que o texto selecionado não diz quais)presentes, atuais e portanto momentâneos, possam ter um valor de "constante sociológica" que permita fundar a idéia de que a fome, não somente em todas as latitudes e longitudes, mas também em todas as épocas históricas, tem por causa "distorções econômicas". É um erro grosseiro supor que, pelo fato de a fome existir em escala global, ela tenha um caráter histórico permanente e uma só origem causal.

Sei que não se pode julgar um cientista por um minúsculo trecho de sua obra, mas o que ele dá a entender nestas linhas já é mostra de uma profunda debilidade lógica.

 

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